Glaucoma
Sobre estrabismo, catarata e deslocamento da retina você já ouviu falar.
Mas e o glaucoma, você conhece?
 

Quando vemos um objeto, a imagem é transmitida do olho ao cérebro por meio do nervo óptico. Esse nervo funciona como um cabo elétrico, contendo cerca de um milhão de fios que levam a mensagem visual lateral ou periférica e também a visão central, usada para leitura. O glaucoma pode destruir gradativamente esses "fios elétricos", causando pontos cegos na área de visão. A doença pode não provocar dor e os portadores só percebem sua existência quando os danos são graves e irreversíveis.

De modo geral, o glaucoma é uma doença que está entre as principais causas de cegueira irreversível no mundo. Quando detectado precocemente, as consequências podem ser evitadas. Ao deteriorar o nervo óptico, o glaucoma reduz o campo de visão do portador sem que haja dor ou incômodo. Se todo o nervo óptico for destruído, irá ocorrer uma cegueira definitiva. O glaucoma pode ser: de ângulo aberto e fechado, congênito ou secundário.

Glaucoma de ângulo aberto: em geral, o glaucoma primário de ângulo aberto não apresenta sintomas. O portador não sente dor e perde lentamente a visão, percebendo a perda quando o nervo óptico já está bastante lesado. Devido à ausência de sintomas, a melhor forma de diagnóstico desse tipo de glaucoma é o exame ocular periódico.

Glaucoma de ângulo fechado: ocorre quando o sistema de drenagem é bloqueado, geralmente, pela íris (a parte colorida do olho) e o líquido não consegue penetrar na rede trabecular para ser drenado. O portador apresenta dores de forte intensidade na cabeça e no olho, que chegam até a provocar vômitos e redução da visão. A pressão intra-ocular torna-se muito elevada e pode lesar o nervo óptico de forma rápida e agressiva. Esse é o quadro de uma crise de glaucoma agudo, uma emergência oftalmológica que, se não tratada rapidamente, leva à perda visual irreversível, parcial ou mesmo total, em questão de horas.

Glaucoma congênito: é caracterizado pela má formação no sistema de drenagem do humor aquoso que ocorre em recém nascidos e crianças. A criança apresenta lacrimejamento, dificuldade em tolerar a claridade, perda do brilho da região da íris – que passa a aparentar uma coloração mais azulada e opaca - e aumento do volume do globo ocular.

Glaucoma secundário: o aumento da pressão intra-ocular ocorre após doenças inflamatórias, catarata avançada, alteração dos pigmentos naturalmente existentes dentro dos olhos, hemorragia e obstrução de vasos intra-oculares. Outra importante causa de glaucoma secundário é o uso de colírios de corticóide por tempo prolongado sem indicação e/ou acompanhamento do médico oftalmologista.

Causas
Vários fatores podem ocasionar a doença, um deles é o aumento da pressão intra-ocular. Um líquido claro e transparente chamado humor aquoso, circula dentro do olho continuamente nutrindo as estruturas internas do órgão. Se o sistema de drenagem do olho entope, a pressão intra-ocular aumenta e, com o tempo, pode causar danos irreversíveis ao nervo óptico. O glaucoma não significa pressão intra-ocular elevada. Muitos portadores da doença podem apresentar a pressão intra-ocular normal nos exames de rotina e, ainda assim, demonstrarem perda de campo visual.
Tratamentos

Há três tipos de tratamento para o glaucoma: uso de colírios, aplicações de laser e cirurgia.

Uso de medicamentos (colírios ou comprimidos): é o tipo de tratamento inicial mais frequente. O objetivo é reduzir a pressão intra-ocular, seja pela diminuição da produção do humor aquoso, ou pelo aumento da saída desse líquido do olho. Dessa forma, há proteção do nervo óptico e, em consequência, a manutenção da visão do paciente.

Aplicações de Laser: a trabeculoplastia aumenta a drenagem do humor aquoso, reduzindo a pressão intra-ocular, a exemplo do efeito de alguns colíros. Nesse procedimento, se utiliza o laser para realizar pequenas queimaduras na rede trabecular e estimular o funcionamento do sistema de drenagem. Caso seja identificado no paciente o glaucoma pigmentário, com risco ou antecedente de crise aguda de glaucoma, é indicado optar por outro procedimento: a iridotomia com laser. Neste procedimento, cria-se um pequeno orifício na parte mais periférica da íris, que a retifica e permite a livre circulação do humor aquoso da região posterior para a anterior dessa estrutura. O objetivo é evitar novas crises agudas e a dispersão dos pigmentos da íris.

Cirurgia (trabeculectomia): se os resultados dos processos acima não forem de acordo com o desejado, utiliza-se a trabeculomectomia, por meio da qual um compartimento é criado no olho para armazenar o humor aquoso que se desloca.

Prevenção

Exames oftalmológicos anuais são indicados em qualquer idade. Pessoas com mais de 60 anos que apresentam história familiar e fatores de risco como diabetes, miopia e hipertensão arterial devem ser acompanhadas periodicamente. O mesmo se aplica a pessoas de raça negra e pacientes sob tratamento clínico ou que já se submeteram à cirurgia de glaucoma. Quando o tratamento é cumprido conforme o determinado, a qualidade da visão é mantida.

Fontes: Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e Centro Brasileiro de Visão (CBV)

 

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