Mesmo que muitas vezes negligenciada, a obesidade infantil é uma realidade muito mais comum do que se imagina. Em todo o mundo, uma em cada dez crianças é obesa, totalizando 155 milhões. Nos últimos 20 anos, a obesidade infantil no Brasil triplicou. Hoje, quase 15% das crianças brasileiras têm excesso de peso e 5% são obesas. Na região sudeste, 12,9% dos adolescentes são obesos. Essa questão vai muito além de um problema estético, pois pode acarretar doenças como diabetes, elevação do colesterol e triglicérides, hipertensão arterial, início precoce da arteriosclerose (endurecimento das artérias), problemas nas articulações e alteração do sono. Outro aspecto preocupante é a série de barreiras sociais impostas pela obesidade, como rejeição, dificuldade de comprar roupas, praticar esportes e, no caso dos adolescentes, de se envolver afetivamente.
As melhores formas de evitar a obesidade são a reeducação alimentar e a prática de atividade física. Entretanto, de nada adianta os pais imporem regras se não derem exemplo na mesa nem se envolverem com as mudanças de hábitos dos filhos. Portanto, devem adotar no cardápio de casa pratos ricos em verduras, legumes, fruta e carnes magras, além de limitar a ingestão de gorduras e açúcares.
De acordo com a nutricionista clínica e esportiva Carmem Zita Pinto Coelho, qualquer pessoa se acostuma com sabores diferentes. “Se a criança não entender a necessidade dos novos hábitos, fica difícil adotá-los”, explica. A dica para driblar a situação é dar exemplo de uma pessoa querida que teve problemas no coração devido o excesso de peso, ou até mesmo lembrar de ídolos do esporte, ressaltando a melhor resistência em função da dieta balanceada e dos exercícios.
O endocrinologista Geraldo Santana alerta sobre a importância das pessoas mais próximas da criança - como tios, babás e professoras – colaborarem para a reeducação e jamais boicotarem o novo programa alimentar. Santana ressalta, ainda, que as preferências, o paladar e a cultura de cada pequeno devem ser respeitados. “É importante lembrar aos pais a questão da aparência dos alimentos e certos valores de consumismo que normalmente estão presentes nesta idade”.
Além da reeducação alimentar, outra medida que só vem a somar para o desenvolvimento saudável da criança é a prática de atividades físicas. É fundamental que os pais incentivem a introdução da prática de esportes, de forma lúdica, na infância, para aprimorar as habilidades motoras, explorar as potencialidades, a socialização e a criatividade. Além de se mexerem, os pequenos promovem gasto calórico e previnem o sobrepeso e a obesidade.
Atitudes contra a obesidade
• Imponha disciplina de horários à criança para as refeições;
• Crie o costume na criança, desde pequena, a comer frutas e legumes;
• As guloseimas não precisam ser abolidas do cardápio, mas não devem ser oferecidas diariamente;
• Faça um acordo com a criança e eleja um dia da semana para as guloseimas ou sanduíche;
• Introduza alimentos menos atraentes (legumes e verduras) em forma de brincadeira;
• Sorteie uma verdura ou legume para ser experimentado no cardápio;
• A amamentação até os seis meses de idade ajuda a prevenir a obesidade;
• Prefira os legumes amassados e não batidos;
• Crianças deve tomar 200 ml de leite, três vezes ao dia;
• Evite passar mais de 4 horas sem a alimentar;
• Elimine o hábito de comer em frente a televisão e ao computador;
• Combata o consumo exagerado de alimentos tipo fast-food;
• Elimine o uso de condimentos calóricos como maionese e catchup;
• Não agrade a criança com alimentos calóricos e guloseimas o tempo todo. |