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O Banco do Estado do Espírito Santo nasceu como Instituto de Crédito Agrícola do Espírito Santo. João Punaro Bley, durante o seu primeiro governo como interventor de 1930 a 1935, não deu ao Estado um banco que pudesse somar ao Banco do Brasil na assistência de crédito às atividades econômicas da época, sobretudo às novas lavouras de café e à pecuária de corte e leite, consolidadas como as maiores fontes de receita do Estado. Além disso, o governo estadual se ressentia da falta de um estabelecimento bancário, sob seu controle, que servisse como depositário de suas disponibilidades financeiras.
Durante o governo obtido por votação indireta na Assembléia Legislativa, Bley, criou o Instituto de Crédito Agrícola do Espírito Santo, que seria o embrião do Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo (Ruralbank) e posteriormente se transformaria no Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes).
O objetivo do Instituto era realizar operações de crédito agrícola e crédito fundiário, depósitos, descontos e cobranças, entre outros. Ou seja, o Instituto tinha objetivos e funções idênticas aos de um banco, cuja criação já estava prevista nos planos políticos daquela época.
De acordo com a Lei 68, de 17 de junho de 1936, as dotações direcionadas ao Instituto de Crédito Agrícola seriam de preferência aplicadas à formação do capital de uma sociedade ou banco que fundado no Estado mantivesse uma Carteira Agrícola a juros razoáveis, destinados a promover o desenvolvimento rural e das culturas, auxiliar o custeio das safras e proporcionar convenientes recursos à produção. |
Banco de Crédito Agrícola
Dois anos após a sua criação (em abril de 1937), o Instituto de Crédito Agrícola se transforma em Banco de Crédito Agrícola do Estado do Espírito Santo (Ruralbank). |
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Minuta de Contrato
No mesmo ato, o então interventor no Estado, João Punaro Bley, decretou a extinção do Instituto de Crédito Agrícola do Espírito Santo. A nova Instituição foi autorizada a funcionar pela Diretoria de Rendas Internas do Ministério da Fazenda e iniciou, de fato, as suas operações em 15 de outubro de 1937.
O Governo do Estado colocou-se como o maior acionista do Banco, de um total de 93 membros, com 49.249 ações. A primeira diretoria era formada por Mário Aristides Freire, como diretor financeiro, e Jones dos Santos Neves, na diretoria da carteira comercial.
A carteira comercial começou a funcionar logo após a inauguração do Banco, procurando contemplar, prioritariamente, o comércio e a indústria. Quanto às aplicações, elas eram realizadas por meio de cadastro eficiente e criteriosa seleção de seus clientes.
O pioneiro Mário Aristides Freire permaneceu no cargo de presidente do Banco entre 1937 e 1946. Durante uma interrupção de seu mandato, de fevereiro a dezembro de 1944, a função foi exercida por Ivan de Oliveira.
O então gerente da agência central, José Ferrari Valls, também teve papel de destaque nos primeiros anos do Banco. Empregado da Instituição, o gaúcho de Uruguaiana chegou a exercer, interinamente (de fevereiro a abril de 1947), a presidência do Banco. O Sr. Valls recebeu homenagem por sua contribuição à história da Instituição, tendo o auditório do Edifício Ruralbank, batizado com o seu nome. |
Sem Cadastro Agrícola
O primeiro relatório do Banco de Crédito Agrícola, lançado em fevereiro de 1938, mostra em que condições a Instituição foi estabelecida. Criou-se um banco sem que se soubessem detalhes do seu público específico. Para remediar a situação, buscou-se socorro no Ministério da Agricultura. Apesar da falta de cadastro, de recursos e de planejamento, já se pensava em abrir as agências de Cachoeiro de Itapemirim e Colatina. |

Primeira filial:
Prédio original da agência Banestes Colatina
Inaugurada em 1º de julho de 1938 |
Quanto ao cadastro, somente em 1962 a carteira agrícola foi realmente criada e completamente estruturada, abrangendo também a parte industrial da economia capixaba. Pedro Merçon Vieira foi o precursor da carteira de crédito agrícola e seu primeiro diretor. Em 1964, a carteira começou efetivamente a funcionar.
O Banco iniciou seus negócios em condições adversas. Mesmo utilizando a denominação de Banco Agrícola, a Instituição operava principalmente no desconto de duplicatas do comércio e da indústria ou em empréstimos por meio de notas promissórias, inclusive para agricultores. |
| Anos 30 |
Foi no dia 16 de outubro de 1937 que aconteceu o primeiro saque do Banco. Um cheque no valor de 875 contos de réis, nominal a Theodor Wile e Companhia Ltda. Naquela época, o Banco possuía sete tipos diferentes de contas: depósitos populares, contas com limite, contas sem limite, garantidas, com juros, sem juros e aviso prévio. Curioso é que todos os cheques eram selados, uma exigência do governo federal. O selo funcionava como imposto.

Prosperidade no campo
A agricultura era inspiração para os
primeiros talões de cheque do Banco
Mesmo com as dificuldades iniciais, a diretoria começou a vislumbrar a aquisição de uma sede própria, ainda no ano de 1937. Como ponto de partida para o empreendimento, o Governo do Estado concedeu, no ano seguinte, 150 contos de réis para a compra da área onde seria construída a sede do Banco.

Primeiro aniversário
Apesar das adversidades,
os funcionários do
Banco
comemoraram um ano de
atividades em 1938
No desenrolar do processo, surgiu a proposta da Prefeitura de Vitória para que o Banco adquirisse dois imóveis. O terreno estava localizado de frente para o mar e esquina com o Beco do Douto. |
| Anos 40 |
A primeira virada de década e o início dos anos quarenta não foram fáceis para o Banco de Crédito Agrícola. "Esse período anormal, de sérios embaraços e de profunda depressão comercial, serviu, porém, para patentear a todos os incalculáveis benefícios que um Banco regional, nos moldes do nosso, póde conferir, seja assistindo à lavoura, assolada pela sêca, seja socorrendo o comercio, desamparado, nesses momentos, pela natural retração do crédito, de auxilios mais prestadíos", defendeu-se o presidente do Banco em seu relato.
Em 1940, o cenário não muda: guerra, seca e estagnação. "Como decorrência natural da prolongada estiagem, que, em 1939, crestou severamente a produção agrícola do Estado e da profunda repercussão, que, para o nosso comércio exterior, trouxe o alucinante conflito europeu, teria que ser particularmente difícil, para os negócios em geral, o ano de 1940", publicou a diretoria do Banco em 1941 no seu relato anual das atividades do Exercício anterior.
Sede própria
Nem só de estagnação viveu o Banco no início da década de 1940. Finalmente, em 1942, o Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo realizou a inauguração da sua primeira sede própria, no local onde atualmente funciona a agência Central do Banco, na Avenida Jerônimo Monteiro.

A casa do Banco
Sede própria em
menos de
cinco anos de
funcionamento
A novidade veio acompanhada por outra mudança importante nos negócios da Instituição. Neste período, o governo Getúlio Vargas introduziu a reforma monetária, substituindo o mil réis pelo cruzeiro. A medida exigiu um esforço do Banco para realizar tanto a troca da moeda para o cliente como a adaptação de toda a sua contabilidade ao novo sistema monetário.
O governo ditatorial de Punaro Bley chega ao fim em janeiro de 1943, depois de mais de uma década à frente do Executivo do Espírito Santo. Os anos seguintes são marcados por alternâncias de chefes do Executivo, tendo diversos interventores, até a posse do governador eleito Carlos Lindenberg, em 1947.
A agricultura mantinha-se como o carro-chefe da economia do Estado, enquanto as indústrias ainda figuravam modestamente nos quadros da produção e a pecuária atendia basicamente às necessidades internas. Apesar disto, os governantes começavam a vislumbrar a demanda de diversificação da economia. |
| Anos 50 |
A história do Estado inicia, em meados do século XX, um período em que os projetos políticos de crescimento alternam prioridade à industrialização e à tradicional agricultura, com reflexos importantes na caminhada do Banestes.
No governo seguinte, de Francisco Lacerda de Aguiar, o Chiquinho, que assumiu o poder em 1955, o setor agrícola voltou ao centro das atenções governamentais. Em outubro de 1957, o Banco obteve a prorrogação do prazo de funcionamento por mais 10 anos. O estatuto original fixava em 20 anos o período de funcionamento da Instituição. |
| Anos 60 |
Na década de 1960, o Banco de Crédito Agrícola manteve o seu ritmo de crescimento, apesar de diversos fatores desfavoráveis, como o conturbado período dos governos de Jânio Quadros e João Goulart, o golpe militar e a subseqüente ditadura e as políticas de contenção do crédito e combate à inflação.
Em nível estadual, implementou-se a política de erradicação dos cafezais, lavoura que foi exatamente um dos motivos mais fortes para a criação do Banco. A industrialização voltada ao mercado exportador de commodities se tornou o motor da economia capixaba, puxada pelos incentivos estatais.
O governador Christiano Dias Lopes Filho (1967-1971), em sintonia com as forças políticas do regime militar, seguiu à risca esta linha, buscando atrair investimentos nacionais e estrangeiros para a concretização dos projetos industriais ligados ao comércio exterior. No campo da agricultura, o Banco desempenhou um importante papel neste período, com financiamento e orientações para a formação de novos cafezais, já que as velhas lavouras haviam sido erradicadas. Durante a década de 1960, 54% dos cafezais foram extintos, provocando um êxodo de 150 mil capixabas do campo para a Grande Vitória e outros Estados.
Sede nova, novo nome
Com as novidades da economia e o Banco absorvendo novas atribuições, as instalações físicas de sua sede já não mais atendiam às necessidades da Instituição. Em 1962, na gestão de Mário Augusto Ayres Nicoletti como presidente do Banco, o imóvel da primeira sede própria foi demolido para que um prédio fosse construído no mesmo local.
A segunda sede própria do Banco foi inaugurada no dia 30 de dezembro de 1967, durante a gestão de Luiz Teixeira como presidente da Instituição. Conhecido como Ruralbank (endereço telegráfico do Banco), o prédio de 19 andares era um dos mais modernos do centro de Vitória.

Da pedra fundamental,
em 16 de outubro de 1962, para
o início de uma nova sede...

...a um prédio monumental:
o Edifício Ruralbank, entregue
em 1967, era o mais moderno da capital.
Em franca expansão, o Banco obteve empréstimo de US$ 2 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com vistas ao incentivo agrícola para o Estado, numa ação que se tornou projeto-piloto para a América Latina.
Ainda no final desta década, outro fato marcante. O Banco Central uniformizou a denominação dos Bancos estaduais e, após a assembléia geral de acionistas e a devida alteração do estatuto, em 1969, o Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo (Ruralbank) passou a se chamar Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes). Nada mais coerente com o perfil da Instituição, cujos negócios nunca foram exclusivamente voltados ao campo. |
| Anos 70 |
A década de 1970 registra o auge do regime ditatorial imposto pelos militares. Em tempos de "milagre econômico brasileiro", o Espírito Santo também experimentou a sua versão de tempos milagrosos, marcados por um ritmo intenso no processo de urbanização e industrialização.
Rebatizado, o Banco faz jus a seu novo nome, atuando em várias frentes da nova economia capixaba, e implantando inúmeras mudanças administrativas até 1975. "Nessa época, ficou evidente que o Banestes se tornaria a Instituição bancária do Estado", assinala o presidente da Associação dos Representantes de Bancos do Espírito Santo (Arbes), Jorge Eloy.
Dentre as realizações do Banco, durante a década de 1970, estão: a abertura da carteira de câmbio; a criação da Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da Seguradora do Estado do Espírito Santo; a implantação do Cheque Confiança, que se tornou uma marca da Instituição; e a ampliação das agências, inclusive fora do Estado.
Até 1975 o Banestes tinha apenas uma carteira de crédito, denominada Carteira de Crédito Rural e Industrial. Em setembro daquele ano, com o crescimento das operações de crédito industrial, a carteira foi desmembrada em duas: Carteira de Crédito Rural e Carteira de Crédito Industrial. Posteriormente, em novo período de dificuldade, estas foram novamente fundidas em uma única, denominada Gerência de Crédito Rural e Industrial.

Crédito Rural
A agricultura capixaba uma das prioridades do Banestes
Demonstrando grande avanço, em 1978, o Banestes obteve o primeiro lugar em desempenho global entre todos os Bancos do País (estatais e privados), conforme matéria publicada na revista Exame, datada de 23 de maio de 1979. |
| Anos 80 |
Transição e crise
Os anos 1980 chegaram com muitas mudanças e desafios para o Banco do Estado do Espírito Santo. A boa notícia era a reconquista do regime democrático, após décadas de ditadura militar, mas a crise econômica em que o País mergulharia iria se refletir no Estado.
Na década de 80, o Banestes intercalou desempenhos favoráveis com momentos de crise. No entanto, mesmo em situação de instabilidade, foi automatizado, deixou de ser conglomerado financeiro e se tornou Banco múltiplo. A Instituição também criou o sistema de caixa único, permitindo maior mobilidade de recursos para o Governo do Estado.
Múltiplo
Pela Resolução 1.524, de 19 de dezembro de 1989, do Banco Central, o Banco se organizou de forma múltipla. Estruturaram-se as seguintes instâncias: Carteira Comercial, Carteira de Câmbio, Carteira de Crédito Imobiliário, Carteira de Crédito, Financiamento e Investimentos e Carteira de Desenvolvimento. Foram mantidas a Banestes Seguros S.A. e a Banestes Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
Os Bancos múltiplos caracterizam-se por serem uma única entidade financeira reunindo modalidades de atuação no mercado sob a forma de carteiras, facilitando a administração e, conseqüentemente, evoluindo para melhores resultados. |
| Anos 90 |
A crise que já se anunciava na década de 80 chegou ao limite nos anos 90. Para o Banestes, esta década, especialmente o intervalo entre os anos de 1995 e 1998, marcou um momento decisivo quanto ao futuro da Instituição. Entre setembro de 1996 e dezembro de 1998, houve um intenso esforço para a capitalização do Banco, num processo que ficou conhecido como "saneamento".
De acordo com Sebastião Bussular Júnior, diretor Financeiro do Banco do final de 1996 a 2002, até o Plano Real, em 1994, numa realidade de hiperinflação, grande parte das receitas das instituições bancárias vinha de aplicações em títulos do governo com recursos captados junto aos clientes. Mas, com a estabilização da economia, esta situação mudou radicalmente e a rentabilidade, com juros a taxas nominais de até 80% ao mês, passou a 40% ao ano. Ou seja, os bancos tiveram de se ajustar fortemente a uma realidade de baixa inflação, que lhes retirou uma importante fonte de receitas.
Esse ajuste era vislumbrado como necessidade desde a implantação do fracassado Plano Cruzado, em 1986, afirma Bussular. Mas o dever de casa, que incluía automação de processos, redução de custos, oferta de novos produtos e serviços e treinamento de pessoal, entre outros, teve maior adesão na área privada. No caso dos bancos públicos, a tarefa não recebeu grande atenção.
Aos desafios dos ajustes à nova conjuntura de estabilidade, somaram-se as crises na economia mundial (tigres asiáticos, Rússia, Argentina etc.) e, no caso do Banestes em especial, o desequilíbrio decorrente das aplicações de recursos em operações na Carteira de Crédito Imobiliário, de grande relevância na estrutura patrimonial do Banco àquela época.
Nesse cenário de atenção no Sistema Financeiro Nacional, alcançando bancos públicos e privados, o governo federal, após o sucesso do Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), que saneou bancos privados, criou, para os bancos públicos, o Programa de Incentivo à Redução da Presença do Estado na Atividade Bancária (Proes), que previa três medidas principais: privatização, federalização e manutenção do controle com capitalização da Instituição. O Espírito Santo optou pela terceira possibilidade.

Modernização
Entre 1990 e 1994, o Banco modernizou o sistema de informatização, num processo em que foi criada a Banescard, empresa responsável pela adesão dos clientes ao sistema Visa, e no qual também houve a interligação à Rede Banco 24 Horas.
Em 1996, o Banco conquistou uma nova e ainda inexplorada fatia do mercado capixaba, com o lançamento da empresa Banestes Leasing S.A. No ano seguinte, aconteceu a implantação do produto Título de Capitalização (Banescap), em parceria com a Icatu Hartfort, e a ampliação da capacidade de processamento do computador central.
Em 1998, o Banestes interligou os seus sistemas à Rede Shop e implantou o primeiro Posto de Atendimento Bancário Eletrônico (PAE). Este tipo de unidade, junto ao canal eletrônico Banestes Internet Banking e ao aplicativo Office Banking, integrava a rede de atendimento denominada Banesfácil.
No ano seguinte, o Banestes foi o primeiro Banco no País a implantar um sistema de certificação digital no Internet Banking. Em parceria com o Icatu Hartford, também lançou o produto Previdência Privada.
Há ainda dois outros pontos de destaque: deu-se o ingresso do primeiro representante dos empregados no Conselho de Administração, com a eleição direta, em 1991, de Carlos Roberto Tannure do Valle; e, em 1993, foi criado o coral do Banestes, chamado Banescanto. |
| Anos 2000 |
Com a troca de governo, houve uma mudança de rumo e novos caminhos foram seguidos. Um novo capítulo começou a ser escrito em 2003, com um roteiro completamente diverso, pontuado de êxito e superação, como se verá a partir de agora.
"O futuro é o que estamos fazendo agora". A um só tempo, os versos do poeta Mario Quintana inspiravam e traduziam a marcha que se iniciava em 1º de janeiro de 2003, após a opção pela mudança sacramentada nas eleições políticas de 2002. E o futuro era o novo - a busca e a construção do novo em termos socioeconômicos e político-administrativos.
Reconstrução em 2003
Em 2003, João Felício Scárdua assumiu a presidência do Banco. De início, adotou-se um plano de redução de custos e racionalização de despesas. Também foram buscados a eficiência e o fortalecimento da área de planejamento e operações financeiras.
A estratégia adotada nessa administração era a mesma daquela época: para reverter a situação, foram buscadas parcerias com os empregados, prefeituras, empresários e clientes. Com a retomada da normalidade administrativa, iniciou-se uma nova fase do Banco. Os financiamentos agrícolas, por exemplo, voltaram a ser realizados com maior intensidade.
O Banco também inovou no atendimento aos clientes. Em 16 de junho de 2003, foram lançados os chamados Correspondentes Bancários, que são unidades por meio das quais o cidadão pode realizar operações bancárias diversas. Instalados em supermercados, farmácias, lojas e outros estabelecimentos comerciais, os correspondentes são alternativas para levar serviços bancários a regiões que não dispõem de agências ou postos do Banco.
Destaques em 2004
Em 5 de outubro de 2004, assumiu o comando do Banestes o atual presidente Roberto da Cunha Penedo. Penedo chegou ao Banco com uma grande meta: triplicar, em dois anos, o Patrimônio Líquido (PL) do Banestes e imprimir à Instituição um ritmo de gestão com foco em resultados.
Para atingir esses objetivos, o Banestes teve de trabalhar em três grandes vertentes. A primeira nasceu com a criação de uma força tarefa para que, num espaço curto de tempo - três meses -, fossem adotadas fortes medidas de redução de custos e racionalização de despesas. A segunda vertente foi ampliar a carteira comercial do Banco e focar suas atividades em produtos e serviços de maior rentabilidade para garantir o poder de competitividade da Instituição. O Banestes voltou a intensificar seus negócios com o segmento de pessoas jurídicas. A última vertente, mas não de menor importância, foi um esforço concentrado para a recuperação dos créditos do Banco, fundada em um ordenamento de normas e regulamentos que viabilizassem as negociações. Tudo previamente aprovado pelo Conselho de Administração do Banco.Também reiniciou-se junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) uma série de conversas para a reabertura das operações pelo Banestes das linhas de crédito daquela Instituição. Isso aconteceu em 2005, com um limite de crédito de R$ 19,9 milhões, valor este que foi ampliado para R$ 1,26 bilhão em 2007.
Ao fechar o ano, o Banco não só manteve a operação no azul como ampliou os lucros, chegando a ganhos de R$ 41,4 milhões em 2004. Além de ter saído do prejuízo, em 2004 o Banestes já havia se tornado destaque em nível nacional. O Banestes voltou a se posicionar como um dos mais importantes protagonistas do desenvolvimento socioeconômico do Espírito Santo. Pela primeira vez na história, o patrimônio líquido do Banco ultrapassou a casa dos R$ 100 milhões.
Na prestigiada análise da Austin Rating, publicada no Balanço Financeiro do jornal Gazeta Mercantil, o Banco alcançou várias conquistas. O Sistema Banestes foi classificado como a terceira Instituição financeira do País na categoria "Os Maiores por Rentabilidade do Patrimônio Líquido", envolvendo 20 organizações públicas e privadas. Considerando-se que as classificadas nos dois primeiros lugares eram privadas, o Banestes tornara-se o primeiro Banco público do ranking no quesito Rentabilidade do Patrimônio Líquido, que é o percentual obtido pela divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido.
O Banestes também investiu em seu parque tecnológico. Com a implantação de um novo computador central de última geração, em agosto de 2004, houve um ganho de aproximadamente 50% no tempo de processamento dos serviços informatizados. O investimento de R$ 16 milhões permitiu a expansão de negócios no Banco, ratificando o foco do Banestes na melhoria dos índices de satisfação dos clientes. O sistema passou a gerar respostas mais ágeis, tanto para gerentes de agências, em operações on-line, quanto para os clientes que realizam transações nos canais eletrônicos.
Avanços em 2005
Em 2005, novas ações somadas às iniciativas anteriores produziram efeitos crescentemente melhores. A prova mais cabal está retratada no Índice de Eficiência Operacional do Banestes, que cai de 76,4% em 2004 para 61,3% em 2005. Para demonstrar o caráter sólido dessa recuperação, o Banestes alavancou o total de suas operações de crédito de R$ 681 milhões em 2004 para R$ 960 milhões em 2005, um crescimento de 40%.
Em março, foram incorporadas pelo Banco as suas empresas de Leasing e de Administração de Cartões de Crédito, com o objetivo de reduzir custos e consolidar os produtos da marca Banestes. Com esta incorporação, foi criada a Superintendência de Produtos, ligada à Diretoria Comercial.
O Banco deu início, em março de 2004, ao Projeto de Reestruturação da Política de Risco de Crédito. Eram duas ações básicas: a adoção de modelos estatísticos de classificação de risco do cliente e a modernização dos processos de concessão de limites de crédito e negócio a clientes. O trabalho, concluído em dezembro de 2005, permitiu à Instituição operar a expansão de seus negócios com mais segurança, seguindo as melhores práticas adotadas pelo mercado financeiro, disponibilizando ao cliente limites de créditos pré-aprovados.
Dentre os muitos fatos que marcaram o ano de 2005, um merece absoluto destaque: 100% dos municípios capixabas passaram a ser atendidos por agências Banestes, independentemente das dimensões geográfica e econômica de cada uma das 78 cidades do Estado.
Ano após ano, o Banestes amplia seus índices e resultados. No ranking nacional do sistema financeiro, em 2005, foi classificado pelo Balanço Financeiro da Gazeta Mercantil, elaborado em parceria com a consultoria Austin Rating, como o terceiro melhor Banco de varejo do País, à frente não apenas de grandes Bancos públicos como também de importantes Bancos privados de controle estrangeiro.
Superação em 2006
No último ano da administração estadual 2003-2006, dedicada prioritariamente à reconstrução da máquina pública, o Banestes, que já havia cumprido o dever de casa e vinha colecionando recordes, coroou seu desempenho com superação em todas as áreas.
Com o equilíbrio financeiro restabelecido, o Banestes cumpre o seu ideal de Instituição competente e competitiva, ao mesmo tempo em que reforça o seu papel de agente de políticas públicas. Em sintonia com o Plano Estratégico da Agricultura Capixaba (Pedeag) do Governo do Estado, a Instituição manteve-se ao lado do homem do campo, viabilizando, a título de crédito rural. De 2003 a 2006, foram aplicados no campo R$ 243,80 milhões, que contemplaram 20.244 produtores rurais.
Os Correspondentes Bancários constituem uma importante e significativa alavanca do Banco no que diz respeito à prestação de serviços, atingindo, em maio de 2006, uma média de 1,5 milhão de transações mensais, superando as operações realizadas por todas as agências juntas. Vale registrar que a instalação de Correspondentes Bancários rendeu ao Banestes e à Associação Brasileira de Bancos Estaduais e Regionais (Asbace) o prêmio Marketing Best 2006, distinção conferida às empresas que se destacam no planejamento e execução das estratégias de marketing.
Em 2006, o Banestes realizou a primeira concorrência pública para venda de imóveis de sua propriedade, tendo em vista que o patrimônio imobiliário traz despesas financeiras e não faz parte da área de atuação de um Banco. Esta ação, juntamente com a realização sistemática de leilões de imóveis iniciada em novembro de 2004, deu maior robustez ao caixa do Banco para concessão de financiamentos que dinamizam o desenvolvimento socioeconômico capixaba.
Em infra-estrutura tecnológica, destaca-se, em 2006, o início da operação do site backup, num projeto orçado em R$ 10 milhões, cujos estudos começaram em 2005. Trata-se de um segundo datacenter que entra em funcionamento em caso de pane no primeiro, garantindo a continuidade dos serviços e transações bancários. Este é o maior e mais complexo projeto de tecnologia da informação no Banestes. Em 2007, além da complementação do site backup, o Banestes já investiu R$ 400 mil na aquisição de 319 microcomputadores, destinados ao início da atualização de seu parque tecnológico de retaguarda.
70 anos em 2007 - Temporada de colheitas
2007 foi o ano em que o Banestes completou 70 anos. E foi também o quarto ano de uma temporada de boas colheitas iniciada em 2003. Entre outras posições importantes obtidas por sua performance em 2006, o Banestes recebeu, em 2007, a distinção do 1º lugar em rentabilidade patrimonial entre todos os bancos públicos do País.
Ao ajustar seu foco sobre produtos que proporcionam mais rentabilidade para o Banco, a carteira comercial fechou o ano de 2007 somando R$ 1,60 bilhão, ante o valor de R$ 1,27 bilhão em 2006. O incremento foi representado pelo aumento da demanda dos produtos Capital de Giro, Conta Garantida, Compror e Consignação em Folha de Pagamento.
O reatamento dos laços do Banco com o segmento empresarial impulsionou sobremaneira esse segmento da carteira comercial, que 3 anos antes era representado por 75% das operações com pessoa física e 25% com pessoa jurídica, invertendo em 2007 essa situação, com o setor pessoa jurídica representando 60% de sua carteira comercial. Atendo às demandas por serviços bancários na região que se caracteriza como maior pólo industrial do Estado, o Banestes instalou, no município da Serra, a unidade denominada Banestes Empresarial Agência Civit. É a primeira no Estado especializada no atendimento à pessoa jurídica.
Para incrementar ainda mais a carteira comercial e levar produtos e serviços para um segmento que visualizou como um ativo oculto, o Banestes iniciou, em 2007, um trabalho mais intenso destinado ao não-cliente, ou seja, aquele que não possui conta-corrente e não tem nenhum tipo de relacionamento com a instituição, passando pela reformulação da Banestes Financeira, assim como aprimoramento do produto CDC Veículos, imprimindo agilidade e facilidade na contratação das operações.
2008
O ano de 2008 foi marcado pelos desdobramentos da crise financeira nos mercados mundiais, sobretudo o norte-americano, cujos primeiros sinais apareceram no início do 2º semestre de 2007. O temor de investidores por uma recessão alimentaram importantes posicionamentos do Federal Reserve (EUA), junto a outros Bancos Centrais do mundo, pelo equilíbrio do mercado, equalizando medidas relativas ao "ciclo do afrouxamento monetário". Apesar da crise, o Banestes continuou apresentando melhorias em seus números, coroando o desempenho em todas as áreas.
Alinhando ao Planejamento Estratégico do Banestes para o período 2008-2010, foi elaborado plano de ação para atuação nos estados da Bahia e em Minas Gerais, já contando com a autorização do Banco Central do Brasil. Além da proximidade com o Estado do Espírito Santo, oferecem amplas oportunidades mercadológicas.
Destaca-se também em 2008, o lançamento do Banescard, o primeiro cartão de crédito e débito com bandeira própria de um banco comercial do País. O Banescard é o novo cartão do correntista do Banestes, nascendo com uma base de clientes de aproximadamente 820 mil cartões. O novo produto é potencial catalisador de novos negócios com a base de clientes, que conta, ainda com a força da extensa rede de atendimento Banestes, presente em 100% dos municípios do Estado do Espírito Santo.
2009
O ano de 2009 iniciou-se sob os temores do agravamento da crise financeira internacional, temia-se pela intensificação da desaceleração do nível da atividade econômica e de surpresas negativas no âmbito das instituições financeiras da Europa e Estados Unidos. Porém, a adoção de políticas monetária e fiscal expansionistas trouxe alívio para aquelas economias que iniciaram uma retomada em seus principais setores, após atingir o fundo do poço.
No âmbito interno, a adoção de incentivos fiscais via redução de impostos federais, notadamente do IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados - e a alta oferta de crédito pelos bancos públicos, manteve a economia aquecida em setores importantes como automobilístico e eletrodomésticos, contribuindo para a manutenção da renda e melhora das expectativas de consumidores e empresários.
A economia capixaba, fortemente afetada pela queda da atividade e principalmente pela redução do preço das commodities, dada sua alta relação com o mercado externo, deve experimentar um acentuado crescimento em 2010, por conta da melhora nos setores de mineração, siderurgia e celulose, impulsionados pela recuperação de preços no mercado internacional e de elevação da demanda interna.
Em relação ao Banestes, o Banescard segue firme em sua trajetória de sucesso e consolidação no mercado de cartões. Produto que situou o Banestes à condição de primeiro banco comercial do País a dispor de um cartão de débito e crédito bandeira própria, o Banescard fechou o ano de 2009 com 19.500 estabelecimentos credenciados. É a maior bandeira de cartão em atuação no Estado do Espírito Santo. O Banestes também atravessou as divisas do território capixaba, inaugurando agências em Minas Gerais (Nanuque) e Bahia (Teixeira de Freitas).. Nesse ano também foi lançado o Banestes Auto, que teve origem no CDC Veículos, contemplando parceria com 36 revendas e autorizadas de venda de veículos no Estado do Espírito Santo.
2010
No âmbito internacional, 2010 foi marcado por resquícios da crise financeira de 2008/2009. As economias maduras (EUA, Europa e Japão) apresentaram baixas taxas de crescimento, em comparação com anos anteriores, e taxas de desemprego elevadas. A crise das dívidas soberanas do grupo de países conhecido como PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) deu a tônica do período, marcado por dúvidas a respeito da capacidade de pagamento desses países e o seu contágio para outras economias e por políticas fiscal e monetária expansionistas. Os Estados Unidos da América optaram por uma drástica política de desvalorização do Dólar visando reduzir seu enorme déficit em conta corrente – principalmente em relação à China. Por outro lado, nas economias emergentes, consolidou-se o processo de recuperação pós-crise com os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) apresentando altas taxas de crescimento e elevação dos preços, numa situação próxima ao pleno emprego.
No âmbito doméstico, 2010 caracterizou-se por grande aceleração na taxa de crescimento do Produto Interno Bruto e provavelmente terá o maior índice das últimas décadas, crescendo próximo de 8,00%. A meta de 3,30% do PIB de superávit primário não foi cumprida e a estimativa do mercado é que esse percentual tenha ficado em torno de 2,00%.
No âmbito estadual, o PIB do Estado do Espírito Santo cresceu 10,10% no terceiro trimestre de 2010 em comparação com o mesmo período de 2009 e acumulou 12,60% ao longo de quatro trimestres. Segundo o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), em 2010 é provável que o crescimento da economia capixaba se situe próximo a 10,00%. Mereceu destaque o bom desempenho da Indústria Extrativa que teve o resultado ancorado na expansão do minério de ferro, óleos brutos de petróleo e gás natural.
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